Seja sem-vergonha

Não, não me considerem o autor - só refleti em Drummond, igual a tantos.
  A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.
— Carlos Drummond de Andrade

Nós deixamos passar tanta coisa em nossas vidas por simples medo de arriscar, e assim morremos do pior modo: Ainda vivo. Talvez devêssemos dar mais a cara a tapa; a tapa, ao soco, ao pontapé. Sei que com isso vem a dor, mas me diga, é mais fácil ser feliz tentando 10 ou 100 vezes? Dessa maneira seguimos àquele que Carlos Drummond de Andrade citou e você nem percebeu, é talvez você, é talvez eu. Por quê não? Vergonha não é admitir o erro, é continuar nele. Sejamos todos sem-vergonhas.

O caminho que todos procuram


Estava escrito: "Não me siga, estou perdido"
Vou abraçar o caminhoneiro, pensei comigo
E dizer que somos dois, aliás, que somos todos
Bobos em caminhos tordos arrodeados por lobos
Ou talvez pegar uma carona de graça
Na graça de achar algum caminho perdido
Que há tempos eu procurava e não achava
E no arrisco que eu não arriscava estava o caminho

Namore um cara que ler

Só leia se você gosta de ler.

Namore um cara que se orgulha da biblioteca que tem, ao invés do carro, das roupas ou do penteado. Ele também tem essas coisas, mas sabe que não é isso que vai torná-lo interessante aos seus olhos. Namore um cara que tenha uma pilha de três ou quatro livros na cabeceira e que lembre do nome da professora que o ensinou as primeiras letras. Encontre um cara que lê. Não é difícil descobrir: ele é aquele que tem a fala mansa e os olhos inquietos. Ele é aquele que pede, toda vez que vocês saem para passear, para entrar rapidinho na livraria, só para olhar um pouco. Sabe aquele que às vezes fica calado porque sabe que as palavras são importantes demais para serem desperdiçadas? Esse é o que lê. Ele é o cara que não tem medo de se sentar sozinho num café, num bar, num restaurante. Mas, se você olhar bem, ele não está sozinho: tem sempre um livro por perto, nem que seja só no pensamento. O rosto pode ser sério, mas ele não morde, não. Sente-se na mesa ao lado, estique o olho para enxergar a capa, sorria de leve. É bem fácil saber sobre o quê conversar. Diga algo sobre o Nobel do Vargas Llosa. Fale sobre sobre as novas traduções que andam saindo por aí. Cuidado: certos best-sellers são assunto proibido. Peça uma dica. Pergunte o que ele está lendo –e tenha paciência para escutar, a resposta nunca é assim tão fácil. Namore um cara que lê, ele vai entender um pouco melhor seu universo, porque já leu Simone, Clarice e –talvez não admita– sabe de memória uns trechos de Jane Austen. Seja você mesma, você mesmíssima, porque ele sabe que são as complicações, os poréns que fazem uma grande heroína. Um cara que lê enxerga em você todas as personagens de todos os romances. Um cara que lê não tem pressa, sabe que as pessoas aprendem com os anos, que qualquer um dos grandes tem parágrafos ruins, que o Saramago começou já velho, que o Calvino melhorou a cada romance, que o Borges pode soar sem sentido e que os russos precisam de paciência. Um namorado que lê gosta de muita coisa, mas, na dúvida, é fácil presenteá-lo: livro no aniversário, livro no Natal, livro na Páscoa. E livro no Dia das Crianças, por que não? Um cara que lê nunca abandonará uma pontinha de vontade de ser Mogli, o menino lobo. E você também ganhará um ou outro livro de presente. No seu aniversário ou no Dia dos Namorados ou numa terça-feira qualquer. E já fique sabendo que o mais importante não é bem o livro, mas o que ele quis dizer quando escolheu justo esse. Um cara que lê não dá um livro por acaso. E escreve dedicatórias, sempre. Entenda que ele precisa de um tempo sozinho, mas não é porque quer fugir de você. Invariavelmente, ele vai voltar –com o coração aquecido– para o seu lado. Demonstre seu amor em palavras, palavras escritas, falas pausadas, discursos inflamados. Ou em silêncios cheios de significados; nem todo silêncio é vazio. Ele vai se dedicar a transformar sua vida numa história. Deixará post-its com trechos de Tagore no espelho, mandará parágrafos de Saint-Exupéry por SMS. Você poderá, se chegar de mansinho, ouvi-lo lendo Neruda baixinho no quarto ao lado. Quem sabe ele recite alguma coisa, meio envergonhado, nos dias especiais. Um cara que lê vai contar aos seus filhos a História Sem Fim e esconder a mão na manga do pijama para imitar o Capitão Gancho. Namore um cara que lê porque você merece. Merece um cara que coloque na sua vida aquela beleza singela dos grandes poemas. Se quiser uma companhia superficial, uma coisinha só para quebrar o galho por enquanto, então talvez ele não seja o melhor. Mas se quiser aquela parte do “e eles viveram felizes para sempre”, namore um cara que lê. Ou, melhor ainda, namore um cara que escreve.

De coração à coração

Sábio é aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina
 — Cora Coralina

Quero ter dois filhos, um casal, pra poder educá-los e explicar as coisas boas e ruins sobre o amor desde cedo. Vou falar para a minha filha, que nunca ela deve se rebaixar para qualquer garoto, mas explicar, que cada homem tem uma maneira diferente de expressar o que sente, e que não deve ignorá-los nunca. Para o meu filho, vou falar que por mais que o mundo mostre ao contrário, “pegar” várias mulheres não é o certo, e explicar que por mais que a garota se faça de forte, ela sempre será frágil e sensível por dentro. Vou falar para a minha filha que a beleza de um garoto não importa, e explicar sempre que se ele a ama realmente, ele vai a tratar como uma princesa. Vou falar para o meu filho que quando a garota estiver chateada ou com ciumes, a melhor coisa a fazer é abraçá-la e dizer que nada vai o tirar dela, e explicar que se uma garota pedir mais presentes do que amor, ela não o merece. E finalmente, vou explicar para os dois, que no fundo, tanto garotas quanto garotos, sofrem, mas também sabem machucar. E que só quando o verdadeiro amor chegar, eles vão sentir o que nunca sentiram com nenhum outro. Finalmente eles vão entender por si só, que o amor, os tira mais sorrisos do que lágrimas, que te da sensações estranhas, e que te deixa mais tímido do que o normal. E que o amor, é o sentimento mais belo e doce que eles vão aprender a sentir durante a vida.

Tapa na cara: Doador de órgãos


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Deixo minha visão ao homem que jamais viu o amanhecer nos braços da mulher amada. Deixo meu coração à mulher que vive exclusivamente para fazer o coração de seus filhos felizes. Deixo meus rins à pessoas que tiveram seus sonhos interrompidos, mas que ainda os cultivam. Deixo o meu pulmão ao adolescente que quer gritar ao mundo mais uma vez “eu te amo”. Deixo meu fígado para aqueles que não tinham esperança na recuperação. Deixo ossos, pele, cada tecido meu à criança que ainda não descobriu o que é viver por inteiro. Deixo a você o meu exemplo. Deixo à minha família o desejo de ser um doador.
Deixo para a vida, enfim, um recado: nós vencemos!

Fonte: http://portalsaude.saude.gov.br/

O que aprendi no natal

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Quando era criança, o natal era dividido em Papel Noel, presentes e comer até não dar mais porque pobre tem que aproveitar o momento - e tu acha que vai ter comida no outro dia?. Um dia meu pai se cansou de ralar o ano todo e dar os créditos ao Papai Noel e me desiludiu, depois não sei se sou eu que estou envelhecendo ou se são as pessoas que estão ficando mão de vaca, sem presentes. O que me restou foi comer, então se perguntarem  "Pra onde você foi no natal?" Acho que pra uns 457 kg. O jeito é cantar novamente: "Muito dinheiro no booolso, saúde pra dar e vendeeer!"

Aprendizado do Natal:
A proporção que você fica mais velho, ganha menos presentes.
Não importa o quanto você acha que sabe, vai ser desiludido.
Coma! E se nada der certo, escreva e publique em algum blog.

O significado de "Viver o Natal"



É interessante: A gente come muito, troca presentes, dorme a tarde, acorde tarde e dizemos que isso é natal. Natal não é você se entupir de presentes. Talvez você até mereça, mas a questão não é merecimento, é necessidade. Quer mesmo viver o sentido do Natal? Quer comemorar o "aniversário de Jesus"? Aliás, deixamos o aniversário de Jesus ser uma data tão insignificante que nem sabemos qual é a data verdadeira que Jesus nasceu. Só que você quer presentear, de fato, Jesus? Então não leve seu salário para a igreja porque isso não é presentear Jesus. Você pode ajudar alguém, você pode convidar alguém pra cear com você. Pague a conta de luz de alguém, se envolva em algum mutirão, compre uma cesta básica, ajude alguém! Isso é, de fato, viver o Natal.
 Feliz Natal!